Amizade virtual é amizade real
no instante e na circunstância
de um momento
de um (des)alento
de um (des)conforto
de um (des)afecto
é abraço de criança
rápido e fugaz
conta como um ombro
ou assombro,
visando o bem fraterno,
a paz,
um aconchego interior,
uma motivação
Tanto faz
É energia ou motivação
sorriso puro,
mesmo que fugaz
Um elo de libertação
Tanto faz
Gosto de tudo, em ti
Em teu pensamento, tua essência,
teu tormento,
em tua clarividência
Gosto de tudo, em ti
Teu olhar, tua transparência
Teu sorrir,
Em tua doce essência
Gosto de tudo, em ti
Em teu charme, tua evidência
Tua atracção,
Em tua cálida aparência
Gosto de tudo, em ti
Rosa perfumada, em elegância
O belo assumido
Em tua rara dormência
Desde o tempo dos romanos - e salientando que o direito romano é um dos fundamentos da nossa civilização - que se diz "Dura lex sed Lex",
expressão que está no topo de todos os palácios de justiça. À justiça o que é da justiça, à política o que é da política…ou a César o que é de
César. E a política e os media não podiam ser mais porcos, no seu todo, incluindo a maior parte da casta dos jornalistas, a fazerem-se de juízes
em causa própria e a defenderem-se uns aos outros, de forma encarniçada, tipo cães Rotweiler, construindo mundos artificiais de suposições, a
que depois chamam notícias, reportagens ou investigações, sem isenção, tomando notoriamente partido, sem distância em relação às coisas e
com uma fixação nas escutas que até arrepia. Esta corja de incompetentes e mal formados, quer de políticos, quer de jornalistas, nem se lembra
do horror da bufaria do tempo da pide. E as escutas são piores que os bufos. O espectáculo triste do Mário Crespo na Comissão Parlamentar, a
mostrar uma t´shirt com dizeres pessoais, a pavonear-se, parecendo uma qualquer "cadela de hollywood", a distribuir fotocópias aos deputados,
no maior "à vontade", como se estivesse na sua casa de banho e não na casa mãe da democracia, foi degradante e demonstrativo do tipo de
jornalistas que temos, iguais aos políticos, na ausência de critério, proporção, hombridade, formação e estatura pessoal, humana e civilizacional.
Em qualquer país organizado, o senhor Mario Crespo sentava-se quando isso lhe fosse indicado, saía quando o presidente da comissão o
dispensasse e só levantava o cú, com autorização. Assim, naquela bagunça e anarquia, entre garotos deputados e deputados garotos, as
misérias de um Portugal fedendo a podre, ficaram bem expostas. Calai-vos políticos e jornalistas! Ao menos respeitem o enterro da pátria!
Novo ano virá
Limpei amarras, derrubei muros
Sonhei alto, caí como um tordo
Carreguei pesos, que nem um burro,
Fardos de dor, ofertas da vida…
Subi altas escadas, desci-as com estilo…
De cara ao vento, comi o sofrimento.
Lavei a escadaria...e de queixas, nada há...
Venho plantar rosas, para somar à rosa que és...
tu cuidas do jardim, eu beijo-te os pés.
Quanto ao mais, o amor resolverá.
Feliz Natal
Vida vai
Vida vem
Vagueio comigo, em desalinho
À procura do tudo ou do nada
Quero encher o copo ,
Me agrada
Farto de metades
O meio-cheio
Ou meio vazio
A vida corre e eu caminho
Por entre veredas silvestres
Ou agrestes,
Por entre tons escuros,
Bem duros
Vagueio comigo, em desalinho
Em voltas e volteios,
ou devaneios
Fora do bando, sozinho
Num raro vai e vem
A vida corre, nesta aldeia
meio linda,
meio feia
A vida corre e eu caminho
quero mel da colmeia
A vida corre nesta aldeia
Meio linda
Meio feia,
Quero mel da colmeia
Vida vai
Vida vem
Corre a vida e eu caminho
Por entre veredas silvestres
Ou agrestes
Deste Alentejo, porém
Adornado de afabilidade
Em rara beleza
Pura paisagem dormente, fria
Carregada de melancolia
Terna, agreste na pureza
Quero encher o copo,
O vinho me agrada
Alentejo simples, belo e frugal
Remansos, do velho Portugal
Grande, grande, só a auto-via
Nesta paisagem agreste, fria
Vida vai
Vida vem
E quem vier, venha por bem
Com integridade e pureza
Plena e sem metades
Ou então, não quero mel, não!

Senti um bater de asa, na vidraça
E que graça!
Uma ave airosa, chegou fria
E carente
Dei-lhe abrigo, em meu coração.
E como pulsa meu querer,
De contente,
Imagino-te vistosa
De olhos verdes, atrevidos
Os seios recolhidos,
Ansiando pelo verbo acontecer
E a chuva bate loucamente.
O vento rodopia,
Uiva e pede atenção.
São fortes esses gemidos
De ais ou gritos de alguém,
A quem custa a contenção
Longe, longe
o amor anda em vaivém.
Sozinho, em afagos contigo,
Qual beija-flor, alinhavo versos,
De puro entretém.
Nesta tarde fria,
De vento e chuva que rodopia
Se enternece meu ser,
Ávido de mimos,
A necessitar de se aquecer.
É a saudade,
A recordar-te, com emoção
Algo bate na vidraça,
E que graça,
O vento não traz maldade
Apenas despertou com vivacidade
Uma grata e terna recordação

Vivemos momentos de confusão,
Num país ingovernável,
Como dizia Estrabão…
Nem se governam,
nem se deixam governar…
Tudo espreitam , tudo boicotam,
Onde é que o país vai chegar?
Bufos aos milhares, curiosos
Ouvem tudo, espiam à descarada…
E depois, os amigos publicam…
Oh que sociedade desvairada!
Juízes, feitos inquisitores
Polícias e jornalistas,
Na lista dos espiadores,
Em mútua troca de favores,
Parecem monges copistas
Às vezes caluniadores…
Nem a PIDE
Se serviu de bufos doutores
ou comentadores e comendadores
A escancarar alcovas ocultas
Carregados de hipócritas pudores
E os políticos, todos aprumados,
Passam incólumes,
Montam esquemas atrás de esquemas,
Os excelentissimos coitados
Inquisição, Pide e Nova Inquirição
Tudo a refogar, no mesmo taxo
O país anda perdido,
aos pepinos
Desde Braga ao Cartaxo
O herói é aldrabão
Qualquer dia é tudo arguido
Viva este reino de Estrabão
Este Portugal dos pequeninos
O reino da podridão
Adamastor,
esse monstro imaginado
Errante,
em terras de todo o mundo,
Presente
Impaciente e bruto,
Asfixiante
pela desconfiança,
Atordoante,
Ou pela não crença,
Ignorante …
Adamastor,
Esse monstro feito ciúme
Apavorante,
Amigo do desamor,
Provocante
Terramoto destruidor,
Dilacerante
E causa de muita dor
Fulminante
A cura não a sabe o doutor
Determinante
Mas o amor, esse sábio
Inconsciente,
Em terras de todo o mundo
Presente
O coração, o olhar cálido e doce
Sente e pressente,
Na linda dama ou no vagabundo
Puro e Inocente
Tem o proverbial remédio,
Barato e sedutor
De levante, o amor recomenda
Confiante:
- Vai pianinho, cuida dela,
com toques de pena de ave,
bem suave...
Pode ser de pavão ou de canário,
bem amarela
E mesmo que ventania surja,
de rompante,
nada tem de importante ou demolidor…
é ciúme do Adamastor
Tem modos de bruto e artes de astuto
Mas apenas precisa de lume,
Para regressar às ternuras do costume
E lá vem a barca bela...
Saudosa,
Vai por ela, vai por ela
Formosa
Traz o amor à janela