
Vivemos momentos de confusão,
Num país ingovernável,
Como dizia Estrabão…
Nem se governam,
nem se deixam governar…
Tudo espreitam , tudo boicotam,
Onde é que o país vai chegar?
Bufos aos milhares, curiosos
Ouvem tudo, espiam à descarada…
E depois, os amigos publicam…
Oh que sociedade desvairada!
Juízes, feitos inquisitores
Polícias e jornalistas,
Na lista dos espiadores,
Em mútua troca de favores,
Parecem monges copistas
Às vezes caluniadores…
Nem a PIDE
Se serviu de bufos doutores
ou comentadores e comendadores
A escancarar alcovas ocultas
Carregados de hipócritas pudores
E os políticos, todos aprumados,
Passam incólumes,
Montam esquemas atrás de esquemas,
Os excelentissimos coitados
Inquisição, Pide e Nova Inquirição
Tudo a refogar, no mesmo taxo
O país anda perdido,
aos pepinos
Desde Braga ao Cartaxo
O herói é aldrabão
Qualquer dia é tudo arguido
Viva este reino de Estrabão
Este Portugal dos pequeninos
O reino da podridão
Adamastor,
esse monstro imaginado
Errante,
em terras de todo o mundo,
Presente
Impaciente e bruto,
Asfixiante
pela desconfiança,
Atordoante,
Ou pela não crença,
Ignorante …
Adamastor,
Esse monstro feito ciúme
Apavorante,
Amigo do desamor,
Provocante
Terramoto destruidor,
Dilacerante
E causa de muita dor
Fulminante
A cura não a sabe o doutor
Determinante
Mas o amor, esse sábio
Inconsciente,
Em terras de todo o mundo
Presente
O coração, o olhar cálido e doce
Sente e pressente,
Na linda dama ou no vagabundo
Puro e Inocente
Tem o proverbial remédio,
Barato e sedutor
De levante, o amor recomenda
Confiante:
- Vai pianinho, cuida dela,
com toques de pena de ave,
bem suave...
Pode ser de pavão ou de canário,
bem amarela
E mesmo que ventania surja,
de rompante,
nada tem de importante ou demolidor…
é ciúme do Adamastor
Tem modos de bruto e artes de astuto
Mas apenas precisa de lume,
Para regressar às ternuras do costume
E lá vem a barca bela...
Saudosa,
Vai por ela, vai por ela
Formosa
Traz o amor à janela

Ísis, renascida em arco-íris
Névoas escuras, nuvens claras
Um arco-íris em projecção
Dádivas de luz, sem amarras
Estás sublime nessa sedução
A íris de teus olhos, sem ilusão
Atrais afectos, na busca do amor
Teu olhar e íris, o arco de Osíris
Miro-te a vista espraiada em cor
Iluminas meu ser, doce paixão
Fechas o arco em natural esplendor
Ai elegância, oh tonta atracção!
Clímax de luz e obra do criador
Olho para ti, bem encantado
sinto o sol, a esbater-se em cor
debico beijos, de enamorado
íman de eros, voo em teu redor
qual colibri meio enfeitiçado
Olhar e íris, ou arco de Osíris
Minha Ísis, renascida arco-íris

e que graça...
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Que delícia...
uma mensagem enfeitiçada...
bruxa felina e ronronante...
de vassoura esvoaçante..
por abóbora iluminada
entre tuas delícias...
vejo meu ego triunfante...
uma quase premícia...
oh safada, insinuante
Bruxas e matreirices
Ou
...apenas malícia!
Olhos nos olhos querida dama
Espírito desperto bem inquieto,
Por ti anseio, por ti me atrevo
Sedes mil, de calor e doce amor
Com ternura, espero o momento
Quero oferecer meu cálido trevo
Meu coração sofre, por ti chama
Eu te amo tanto, tanto
que a cada amanhecer,
é um novo encanto,
lírio puro e santo,
que planto por querer
Amanhecer com encanto lírico
Cuidando as flores, em teu olhar
Regando cada recanto em delírio
Oh lírio puro, tremo em te tocar
E beijo a seda de teu seio idílico
pinto trovas, com a lua a raiar
em ti musa e sereia, puro encanto
raro enlevo no amor que planto
Aromas de lírio, eterno cortejar
de rubras cerejas te vou coroar
Linda tela, com dotes de feitiço
Tu, enfeitada, acreditas nisso?
Oh Beja distante, aí plantei meu querer
No encanto de fruta colhida a namorar
Cerejas maduras, teus brincos a brilhar
Vida saborosa, com eterno amanhecer